A jornada de 40 horas com dois dias de descanso está mais perto de virar realidade. Para condomínios bem geridos, é a chance de ter equipes mais descansadas, estáveis e engajadas.
A proposta que acaba com a escala 6x1 avançou no Congresso. Aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em setembro, a PEC chegou ao Plenário em outubro de 2026, com votação em primeiro turno prevista para o dia 14. O texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e preserva os salários.
Para os condomínios, que dependem de porteiros, zeladores, faxineiros e equipes de manutenção, a mudança é uma oportunidade de profissionalizar a gestão de pessoas e elevar o padrão do serviço prestado aos moradores.
O que a proposta prevê
- Jornada máxima de 40 horas semanais, com limite de 8 horas por dia.
- Dois dias de descanso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos.
- Manutenção dos pisos salariais, sem redução de remuneração.
- Transição gradual: 42 horas cerca de 60 dias após a promulgação e 40 horas cerca de 12 meses depois.
Esse calendário dá tempo para planejar. Quem começar agora fará a transição com tranquilidade e sem improviso.
Equipes descansadas prestam um serviço melhor
Portaria, limpeza e manutenção são funções que exigem atenção constante, cordialidade e capacidade de resolver problemas. Profissionais com mais tempo de descanso chegam mais disponíveis, erram menos e se relacionam melhor com os moradores.
Um estudo publicado na revista Nature Human Behaviour, conduzido por pesquisadores do Boston College com quase 2.900 trabalhadores de 141 empresas, observou redução de esgotamento e fadiga, melhora do sono e mais satisfação com o trabalho entre quem passou a trabalhar menos dias. A grande maioria das empresas decidiu manter o novo modelo ao fim do teste e relatou menos dificuldade para contratar e reter pessoas.
Funcionário valorizado fica mais tempo, conhece melhor o condomínio e cuida melhor de quem mora nele.
Menos rotatividade, mais conhecimento da casa
Cada troca de porteiro ou zelador significa recomeçar: aprender rotinas, conhecer moradores, entender as particularidades do prédio. Uma jornada mais equilibrada tende a tornar a função mais atrativa e a reduzir a rotatividade, o que se traduz em segurança, continuidade e confiança.
Como se preparar desde já
- Mapear todos os postos de trabalho, escalas e horários atuais, próprios e terceirizados.
- Redesenhar as escalas para o modelo 5x2 ou para os regimes previstos em convenção coletiva, garantindo cobertura sem sobrecarga.
- Conversar com as empresas terceirizadas sobre o plano de transição e incluir indicadores de qualidade nos contratos.
- Avaliar onde a tecnologia pode apoiar a equipe, como controle de acesso, rondas digitais e comunicação com moradores.
- Incluir a transição no planejamento orçamentário do próximo ano e apresentá-la com clareza em assembleia.
Uma oportunidade para administradoras e síndicos
Administradoras e síndicos que conduzirem essa mudança com planejamento vão se destacar: equipes mais estáveis, moradores mais satisfeitos e uma gestão percebida como moderna e responsável. É o momento de olhar para as pessoas como parte central da qualidade do condomínio.
Fontes: Agência Senado; Mix Vale (13/10/2026); estudo publicado na Nature Human Behaviour (Boston College). A tramitação da PEC pode mudar, e este artigo será atualizado após as votações.
